sexta-feira, junho 18, 2010

quinta-feira, junho 10, 2010

PLAGIO: A PRAÇA É NOSSA. OBAAAAAAAAA!



É bom saber que os amigos estão cuidando dos espaços que voltarei a frequentar, assim que acabar este período delicioso de dar de mamar, trocar fraldas e acompanhar bem de pertinho o crescimento do meu pequeno baladeiro... quem sabe, vamos em dupla! ;) Parabéns, Vera e Dimi Eter, ótima iniciativa!

Na próxima sexta-feira 11 de junho, começará um novo projeto no espaço Club Sattiva Bordô que abre suas portas na boa e conhecida Praça Roosevelt, 82, 18h, pra aquela cervejinha gelada, um caldinho, uma taça de vinho. Em fase de implantações, haverá inicialmente, happy our com a alternativa de balada, ou seja, uma pista de dança que abre ás 20h com DIMI ÉTER nos comandos, fechando á 00:00.

O Investimento será de R$10,00 pagos na entrada, nessa fase de implantações, a casa não disponibiliza dos serviço de cobrança via cartões, por hora será apenas em dinheiro e o consumo pago no ato, assim como também por hora um happy our com pista, logo mais, balada a noite toda e com todos os serviços em funcionamento.

Então, se joga, curta, observe e participe conosco em mais uma empreitada, em mais um espaço alternativo na Praça Roosevelt, cenário de teatros e que passa a abrigar o projeto Final de Tarde, DJ e Pista.


Ai, que vontades!

Está rolando em Santos, a todo vapor o XI ENAM (Encontro Nacional de Aleitamento Materno), estou com uma vontade danada de ir, mas a logística com o pequeno, sem carro e sem muitos recuros, é complicado... mas a programação é basta, e vai até sábado. Quem estiver por perto, ou possa dar um pulo por lá, aproveite! o pedi do Esteban participará de uma mesa sobre desmame, pode saber mais aqui.

Oi eu aqui travéz!



Voltei na esperança de botar vida a este adormecido pela rotina de trabalho, fraldas, doenzinhas e afins. Pretendo como sempre botar aqui tudo o que me der na téia... Fazer o qué...rs
Vestir camisetas, fazer voar opinões... pelo menos desabafar é tudo de bão e nos faz refletir sobre o que vivemos e como enfrentar melhor as situações.
Também pretendo fazer vitrine de tudo o que passa por perto e ache legal... pelo menos fica valendo de agenda para mim mesma! rs
Bom é isso...

terça-feira, outubro 06, 2009

Condicionamentos II

Casal de lésbicas, felizes com seu casal de gêmeos, enfrentando a briga para registrá-los em nome de ambas

Eu sei! virei a chata ativista do movimento mãe independente, mas este assunto volta a tona agora, 8 meses depois de maternagem.

Maternidade muda MESMO a vida da gente, fichas vão, fichas caem, mudam gostos, prioridades principalmente, aparecem os sufocos, económicos, emocionais. Um sem fim de novidades que nem sempre estamos fortemente preparados para enfrentar. Nunca estamos até que aparecem e nos viramos!

Me ajudou muito participar das rodas de conversa do Grupo de Pós Parto do GAMA. Fui poucas vezes, pela distância, horario e preguiça mesmo que aparece na vida de quem se vira sozinha em casa com um bebê. Porém foram muito boas para ter parâmetros de como é a maternagem num lar tradicional. Fora a quantidades de dicas e métodos que intercambiamos e testamos com as mamis para ir construindo juntas nossa maternagem, sem falar na bebezada linda e risonha alimentada a amor e leitinho da mamãe. Realmente muitas saudades do grupo de pós... ainda prometo dar um drible no meu serviço e volto lá! A lista das Maternas é meu suporte diário de experiências e modelos. E o pediatra então! O Cacá é a fonte de sabiduria e tranquilidade em pessoa! ele consegue transmitir sossego no meio do Ai, meu deus! e ainda te faz dar uma risada. É preciso e sabe muuuuuuuuuito do que faz, aprendo a baldes!

Mas voltando ao assunto se virar e ao lar tradicional, cada vez que passo por um sufoco, dificuldade, noites de choro, grana que aperta, carinho que falta, NUNCA, MAS NUNCA MESMO, penso em ligar para o dono do espermatozoide como solução para algumas dessas situações ou outras. Nesse sentido, por fim, saiu melhor a emenda do que o soneto. Muito melhor ele ter desaparecido. Claro que eu não seria tão sem noção de ter ido engravidar num banco de esperma anonimo dadas as circunstancias trabalhistas, monetárias, etc. Teria construído, ou tentado construir uma situação económica melhor para PENSAR em fazer isso. Não esperava ter que me virar de uma hora para outra como aconteceu... mas rolou, me virei e continuo virándo-me. Não estou literalmente sozinha na empreitada, tenho o carinho e colaboração do time de tias e tios que realmente são nota mil.

Mesmo assim, as vezes bate um desamparo, uma vontade de viver em comunidade, familia. Passar a noites sozinha com o Esteban chorando de dor de sei lá ou qué, ou febre é foda. Sinto falta mesmo, naquelas horas apavoradoras, é de uma mãe. Daquelas bem carinhosas como lembro a minha. Que me diga que não é nada, que vai passar... que descanse um pouco, que seguro a onda e te acordo para dar de mamar. Mas, estou me virando.

Voltando aos lares tradicionalmente formados, infelizmente nem todos são felizes. Muitas mulheres tem, além de virarse sozinhas com os bebês, cuidar também das roupas, comidas do marido e do resto da casa. Como se não bastase, os pais mesmo não colaborando, se acham no direito de questionar e intervir em situações que atrapalham à mulher em relação à criança. Fazem barulho na hora do bebê dormir, criticam amamentação, e doideiras do estilo. Poucos são os maridos/pais que seguram a onda ombro no ombro, na Ilíade da criação. Meu salve a eles no desejo de que aumente a espêcie!

Nesse sentido me sinto uma privilegiada, não tenho quem me ajude no noite a noite, mas muito menos quem me atrapalhe!!! Mas uma coisa me revolta e aí que vem o tema dos condicionamentos... Por que as pessoas não se conformam da decisão de não procurar o dono do esperma? por qual motivo podem achar que esse sujeito poderia ajudar se nunca se interesou? Por que uma decisão que nos protege de situações de brigas e violência pode ser considerada de orgulho? Qual a revolta de que meu filho seja registrado apenas por mim se sou, por fim a única responsavel, mesmo pela sua existência?...

Se eu tivesse abandonado ele (meu bebê) depois do nascimento (no caso nós fomos antes), as pessoas se preocupariam tanto pela importancia da mãe? Por que então, tão importante um pai? um pai qualquer? E se eu fosse lesbica e o "pai" do meu filho fosse uma companheira?

A sociedade muda mas continuam existindo os fortes condicionamentos morais, religiosos, etc. etc... Mas já existem novos modelos, chamados de alternativos, porqe no se "encaixam" nos já formados a miles de anos. O importante, qualquer seja o tipo de lar onde nasceu é que o bebê vida rodiado de carinho, proteção, aconchego, principalmente amor. E de isso, temos a baldes.

Em rlação ao futuro, prefiro que seja o proprio Esteban que decida. Por enquanto ajuda é bemvinda, condicionamentos.... já temos tantos nesta vida!

sexta-feira, junho 19, 2009

Pelo direito às Casas de Parto

Regulamentadas em 1999 pelo Ministério da Saúde, as Casas de Parto, ou Centros de Parto Normal, são "unidades de saúde que prestam atendimento humanizado e de qualidade exclusivamente ao parto normal sem distócias". Ou seja, são lugares onde, pelo SUS, a mulher com gravidez de baixo risco tem suas vontades respeitadas ao parir.

Quem já se sentiu violentada por um parto normal cheio de intervenções ou por um corte de cesariana desnecessárea entende o que quero dizer com vontades respeitadas. É ser compreendida e amparada como indivíduo - que não funciona como ditam os livros -, é poder encontrar a posição ideal para suportar uma contração, comer ou beber se desejar, ter a companhia que escolher, ouvir música, não ouvir conversas paralelas, não usar roupas, ou se agasalhar como quiser. É ser protagonista do grande evento fisiológico para qual seu corpo se preparou por meses. É fazer seu parto, em vez de esperar que alguém o faça, e mesmo assim ter assistência.

Na maioria das Casas de Parto a assistência é dada por enfermeiras obstetrizes, também chamadas de parteiras profissionais. Elas estão preparadas para lidar com emergências, o que inclui encaminhar para um médico em tempo hábil quando necessário. E - mais importante que na exceção - na regra, estão prontas para ouvir, acalmar, sustentar. "Pra parir a gente precisa de segurança, tranquilidade e carinho e isso tive de uma obstetriz", me disse Mariana Lettis, amiga querida que pariu o Esteban na Casa de Parto de Sapopemba depois de 17 horas de trabalho de parto. Dificilmente um médico tradicional esperaria tanto tempo para um nascimento. O mais provável é que, com desculpa de falta de dilatação, bebê alto, bacia pequena ou cordão enrolado no pescoço saberíamos de outra desnecesárea.

Mas apesar de fantásticas, as Casas de Parto são bastante perseguidas por aqueles que consideram o parto um ato médico. Essa semana, a única Casa do Rio de Janeiro foi arbitrariamente fechada e só reaberta depois de protestos. Telefonei para a Casa de Parto de Sapopemba, a única com atividade constante em São Paulo, e a obstetriz me informou tristemente que foi proibida de dar entrevistas. Proibida? Sim! Proibida de dar entrevistas, de relizar encontros com grupos de gestantes ou promover qualquer atividade que divulgue o trabalho realizado na Casa.

Reproduzo aqui a provocação da parteira profissional Ana Cristina Duarte, por quem tive a sorte de ser assistida no parto: "A verdade seja dita, se as mulheres saudáveis começarem a ter seus bebês com enfermeiras obstetrizes, em clínicas simples e casas de parto, a exemplo do que acontece na maioria dos países de primeiro mundo, o que será dessa gigantesca indústria das cesarianas, dos hospitais cinco estrelas, dos cirurgiões e seus consultórios? Como sustentar esse setor lucrativo da economia?"

Se você também repudia o que está acontecendo nas Casas de Parto, assine o abaixo assinado promovido pela ONG Parto do Princípio e esteja atento.

* Bianca Santana para o Blog Pé de Manga

quinta-feira, junho 11, 2009

E a minha vida mudou...

relato de varios nascimentos

Me propôs fazer este post para registrar a mudança mais radical e adorável da minha vida. A passagem do solteirismo faceiro pra maternidade faceira!

Sobre como transcorreu a gravidez e os porquês das coisas já escrevi num outro post. Tal vez seja bom comentar que desde os 24 foi que decidi que queria ser mãe e que não esperaria o príncipe azul chegar para isso, com o tempo fui definindo que preferiria que fosse antes do 35 para não correr riscos desnecessários e poder escolher com tranquilidade se ia querer outro filho. Mas vamos lá.

Chegadas as 39 semanas, a minha torcida era por chegar e/ou ultrapassar a DPP (data prevista pro parto) que era 25 de janeiro, porque a Mariel iria me acompanhar no parto e ate essa ata estava trabalhando num evento que a limitava no tempo que poderia permanecer comigo. Já estava de licencia maternidade porque precisava ainda terminar de arrumar o apertamento (escrevi bem, é apertado mesmo, aqui...rsrs mas sabem que estou achando ótimo? Tudo fica perto para atender o baby.) pra grande chegada do Luis Esteban. Era uma quarta-feira, dia 21 de janeiro, quando fui almoçar com a Div's e, ao ir ao xixi-room às 14h30, descobri que tinha começado a perder o famoso tampão. Mas fiquei quieta e também tentei me acalmar, não queria dizer nada ainda, e não quis alarmar ninguém. Decidi continuar meu dia como tinha planejado. Depois de tudo poderia se passar uma semana ainda.

Fui comprar jujubas para as lembrancinhas que faltavam, voltei para casa, continuei com as arrumações, fui para casa da Carine e depois, para casa da Ana, e para a reunião do núcleo do Almeida (boteco de algumas quartas-feiras, com amigos, que continuei acompanhando tomando suquinho de laranja e comendo muito peixe assado!). Cheguei em casa mais da meia noite. Tudo tranquilo e continuava a secreção.

Fui deitar e, como sempre o Esteban se mexia pracas (sempre até às 3 da matina), então resolvi vir para o micro e combinei com Irineu pelo googletalk, de ir pro lançamento do livro dele no dia seguinte, quinta-feira às 20hs, já que tinha se passado mais um dia e nada de TP, me despedi e fui “dormir”. Lá pelas 3hs, na trigésima vez que fui fazer xixí, o tal de tampão saiu inteiro na minha mão... Bom, não siginifica nada, pensei e voltei pra cama.

Às 3h20 uma dor forte pracas me assusta quando tentava dormir. Resolvi ligar pra Mariel e deixar ela de sobre aviso, por sorte ainda estava acordada no serviço (na Campus Party) e me disse que poderia vir e , se for falso alarme, tudo bem. Mas melhor ficar perto. Então voltei deitar para ir descansando, sabia que devia descansar e comer para encarar o trabalho de parto, mas não tinha fome e muito menos sono. Cinco minutos depois o telefone toca e mais umas dessas dores na barriga me ataca, “Puta que o pario, meu!!!” tudo o que consegui falar, e ela “qual o numero do teu predio? Estou indo pra aí”. Nesse tempo liguei pra Casa de Parto, e a Marciana disse que era para só chegar lá quando estiver com 3 contrações, cada 10 minutos, durante uma hora, de pelo menos um minuto cada contração, (inda bem que anotei isso porque até agora não lembro direito). Cada vez que uma dor vinha, com celular na mão, olhava a hora e anotava num papel e contava, um -Puta merda! Dois, aí mi diós! E por aí seguindo, para ter noção de quanto tempo duravam. Quando a Mariel chegou, checou as anotações, esperamos mais um tempo para deixar chegar na hora, ligou para casa de Parto e disseram para ir, devagar, tranquilas, mas podem ir chegado. Ao parecer (eu já não batia bem os pinos com as dores) estavam nesse trem.
Liguei pra Frineia, minha amigona e vizinha com carro, primeira na lista dos disponíveis pra me levarem, Fri, eu disse, Luis Esteban chamando .“Ai, meu deus!” Ela disse e, em 10 minutos chegou em casa.

Lá fomos as três, no meio da madrugada pra Casa de Parto. No viaduto que ia pra zona leste tinha acontecido uma batida de carro e estava interditado pela CET. O quadro, eu de quatro na parte de trás do carro respirando nas contrações, e a Fri discutindo com o cara da CET para que abram uma franja para a gente passar . Depois de nos perder um pouquinho, chegamos 5h30, em Sapopemba, eu morria de vontades de fazer xixi, fui no intervalo das contrações e quando saí,veio junto com uma contração fortona, uma água escorrendo.

A Rose, parteira da casa, me examinou olhando com um instrumento com luz, e falou 1,30cm de dilatação e bolsa rompida, internação. Ai, ai!!! 1cm apenas!!! e eu já querendo vomitar!!! o cardiotoco deu normal, o Esteban estava com 146 batimentos por minuto, um lindo.
Lá fomos nós pro quarto, e daí para a frente pouca coisa me lembro. Para poder escrever este relato tive que voltar ao prontuario e a conversar com as meninas e parteira para reconstruir. Sei que ofereceram café da manhã, mas comi algo e vomitei, sei que fui pro chuveiro com bola, de lá pra banheira de hidro, daí pro chuveiro de novo. Me sentia frustrada de não conseguir agachar, travar pela dor, sentir tanto medo da dor. Eu que achava que dançando como dançava, fazendo Yoga e tendo a elasticidade que tenho ia ser fácil, travei, travei, e travei! Eu achava românticos os relatos de parto que tinha lido, e não tinha reparado no lance de doer pra car...

Em algum momento, lá pelas 13hs, vieram fazer o toque e constataram 4cm apenas! E disseram que precisaria de ocitocina, choraminguei mas explicaram que não podia ficar ai muito tempo com a bolsa rota e o bebé ainda estava alto (e estava mesmo!). Aceitei, mesmo assim confesso que não percebi diferença no volume de dor...rs Continuava doendo pracas! A Mariel precisava ir embora e o mundo caiu, mas ela me disse que a Fri voltava, e com código de cavaleria juntamos as cabeças e nos despedimos pensando que tudo ia sair bem.

Daí para frente sei que cochilei entre uma contração e outra e sonhava que estava numa praia de coqueiros, que estava no Fórum Social em Belém e isso tudo nos 2 minutos de sossego entre dor e outra. A Fri tinha voltado do serviço e me lembrava “respira, Yoga, respira” e eu não mandei ela pra nenhum lugar como ela esperava. Alguns amigos que passaram por lá para saber a quantas estava a coisa, ouviam meus gritos e lamentações em portunhol.

Um delírio que tive, causado pelas dores, acontecia cada vez que a assistente vinha escutar o coraçãozinho do Esteban e ele mantinha os mesmos sossegados 146 batimentos, eu ouvia a música do Tim Maia tocar em algúm lugar“Numa reláx, numa tranquila, numa boa!”

Trocando o turno das parteiras a Yukie veio para me dar um ánimo, me fazendo parar com essa cantarola de vou morrer e me abraçando muito para conseguir agachar, me fazendo massagens nas lombares, me ajudando a tentar fazer força, pedindo pra doce Tereza (assistente da casa) botar musiquinha broxante para me acalmar. Ai! Como queria a bateria do Ilú naquela hora para me dar ánimo!

Em algúm momento a Edina e o Márcio passaram por lá, Edina entrou e pude ver a cara de susto ao me ver pelada, descabelada, e desvairando... Não lembro em que momento ela foi embora.
Lá elas 18hs (segundo o prontuario) mais um toque, 7 cm!!! uma luz no fim do túnel já não sabia quantos vômitos, descabelamentos, cocós, pedidos de cesáreas meus, anestesias, tinham acontecido na jornada toda. Sentia vontade de fazer força e a Ykie falava que tinha que sair e tricotar para não fazer intervenções, mesmo assim tentou me ajudar a ficar de cócoras para o Esteban descer. Sei que me deram plasil e glicose, duas vezes.

Bom, só consegui fazer força na cama, costas encostadas, barrinhas aos lados. Lá estava eu cagando e não andando, e empurrando, e dor vinha, mas já não me abalava mais. Até que a Fri foi aprontar a máquina de fotos, a Yukie saiú da sala e veio de avental branco, mas uma parteira chegou também, a Luz se apagou e se acendeu um abajur, uma mesinha foi aproximada da cama e pensei, agora sim, né? Uma nova energia me invadiu, e lá fui eu orientada a fazer força sem comprometer a garganta. E a Fri disse “Estou vendo algo sim, Mariii!!”. Meninas, nessa hora não lembrei de espelho, de nada, só queria era parir!!!

A outa parteira fez umas “arrumações” na minha barriga (Elly me explicou depois que é manobra de Crysteller) Mas não me incomodou, nada me incomodava mais naquela hora. Senti o círculo de fogo (meu deus!! é um verdadeiro fogareú, hein!!!) e não consegui brecar uma força, que a Yukie pediu e que me custou uma laceraçãozinha, mas o Esteban saiu disparado! 20 horas em ponto! (horário do lançamento do livro do Irineu!! rsrs)


De zoião aberto e soltando uma bela cagada, veio para minha barriga. Fiquei imediatamente recuperada de todos os sustos e dores! Puxei ele pra mim e, de um cabeçazo tipo Marlon Brando no “Ultimo tango em Sapopemba” como disse Ana Cris, ele pegou no meu peito e mamamos felizes para sempre! Nasceu o Esteban, nasci como mãe, nasceram todos como tios, pais, avós... A Yukie me fez sentir o cordão pulsando enquanto ele mamava... foi muita emoção!


Nisso tudo, o Felipe, super amigão, pai de coração do Esteban, chegou durante o expulsivo mas só deixei entrar para cortar o cordão quuando parou de pulsar. Depois a Carine e o Renato que estavam esperando, e trouxeram comidinhas, puderam entrar para ver o pequeno. Quando todo mundo foi embora e o pequeno durmiu, vieram me pegar para me dar banho, aí tentei descer da cama de um pulo, e tudo obscureceu!!! Me reanimaram com soro, e me trazeram a comida. Sangrei muuito, mas me recuperei dias depois. No dia seguinte a Elly, super materna mãe do caetano, veio nos visitar logo antes de que nos deram de alta. E fez a primeira foto que tive de nós dois. As da Fri consegui pegar beeem depois já que ela é andarilha e trabalhadeira que só!!!


Quero agradecer a todos os que são responsáveis pelo Esteban, ele é a construção coletiva mais amada. Sem todo o apoio e o carinho cotidiano não seriamos tão felizes.

Quero também agradecer a Bianca que colocou no meu caminho às maternas, o GAMA, a Ana Cris, o Cacá. Pessoas que trabalham pela humanização do parto, pelo desenvolvimento dos pimpolhos, que me abriram os olhos para uma realidade que precisa ser mudada, e que são fonte de inspiração para mais uma mudança na minha vida, me aguardem!

sábado, fevereiro 28, 2009

A vida em semanas

(Faz tempo que escrevi este post, mas a vida da gente vira uma bagunça.. só hj consegui publicar...rs Meu lindo já passou do mês.)

Estou com meu pequerrucho nos braços, ele nasceu com 39 semanas e meia de gestação.

Nunca consegui entender direito esse lance das semanas durante todo o processo da gravidez. Teve momentos nos quais foi muito fácil acompanhá-las, outros em que perdi realmente a conta e, no final então, meus cálculos eram diferentes aos feitos pelos obstetras porém, por fim, acabou dando na mesma! Luis Esteban resolveu nascer no dia 22 de janeiro de 2009 às 20 horas em ponto. “Um aquariano nascendo em horário pontual? Só podia ser com ascendente em virgem!” - Exclamou tia Fri num email enviado a todos com a boa nova.

O certo é que nunca antes minha vida tinha sido pautada em semanas até agora. E acho também, que será uma fase que chegará ao fim quando o Esteban complete um mês.

Confesso que não curti a gravidez de cabo a rabo, as primeiras semanas padeci incertezas, indecisões mil, nervosismo, decepções... em fim, depressão. Fiquei preocupada também, porque não tinha plano de saúde -Olha que absurdo! foi depois que descobri que para gestantes é até melhor nem ter plano. Porque os GO (Ginecologistas Obstetras) dos convênios, fazem mil tipos de procedimentos invasivos durante a gestação, indicam ultrasonografias até demais da conta e, vivem enganando as futuras mães com o conto do tão desejado parto normal, para depois enrolar elas numa cesária desnecessária, vé se pode isso!? Porém, quando resolvi que ia encarar e ter finalmente, meu primeiro filhote, todo passou a ser contabilizado em semanas, e cada etapa, ou trimestre, trouxe um monte de aprendizados e atenções diferentes.

Bom, para dar o veredito final em relação a continuar a gravidez, era necessario saber que tudo estava bem com o bebê, para isso pedi pra minha GO do começo, Dra. Vânia, me indicar algum dos exames que servem para descobrir síndromes em fetos. Conhecia apenas o exame de vilo ou Biopsia de Vilo Corial, que serve para detectar anomalias genéticas, como a Síndrome de Down, consiste numa punção que pode ser feita a partir da 11ª semana de gravidez, o resultado fica pronto em uma semana ou 15 dias. Mas a Vânia, descobriu e indicou um exame realizado apenas no Instituto Albert Einstein, chamado O.S.C.A.R. (One Stop Clinic for Assessment of Risks). A vantagem é que não se trata de um exame invasivo e a diferença de custo entre ambos não era muita, também dava muita tranqüilidade saber que não corria nenhum risco de aborto, no caso estivesse tudo bem. Esse exame pode ser feito a partir da 11ª semana de gestação e o resultado é entregue na hora, já fica valendo pelo primeiro ultrassom morfológico e o sexo, no meu caso foi muito bem chutado, 70% de chances de ser menino o médico disse. Foi paranoico da minha parte querer fazer esse exame, mas num quadro onde tudo estava dando errado, não queria correr mais esse risco.

Muito me ajudou acompanhar o site Vida no Ventre da National Geografic, oportunamente indicado pela dinda Mariel, que também indicou e me inscribi para receber os boletins gratuitos da revista Crescer. Graças a Bianca, mãe do foférrimo Lucas, conheci também GAMA e a lista das Maternas-SP, Grupo de Apóio à Maternidade Ativa, onde se encontram mulheres e profisionais que procuram e apóiam o parto humanizado, Ana Cris é parteira de lá e moderadora da lista na qual continuarei participando, depois de tudo, não é apenas para gestantes. Sem dúvidas, as melhores referências se tratando dos encantos de maternar.

Nas semanas consideradas de primeiro trimestre, também tive a sorte de ter muitos desejos de frutas, que não gostava de comer antes, o que rendeu muitas vitaminas pro Esteban. É especificamente o trimestre (todos tem importância) mais importante para cuidar da alimentação, tudo está em formação. Também nesse período médicos indicam o ácido fólico para reter e absorver ferro, estamos fabricando uma pessoa, né? Todo cuidado é pouco, até para continuarmos belas e saudáveis. Tive que cortar com alguns vícios, o café por exemplo, que tomava de cinco a seis copinhos por dia, teve que ser reduzido a apenas, dois. Bebidas alcoolicas também foram quase erradicadas, apenas uma latinha, ou uma taçinha de vinho de vez em quando. "A questão é não criar dependência no feto" falava a Dra. Vânia. Mas adiante, numa matéria na qual saimos Esteban e eu na Folha, descobrimos que fetos onde mães consomem muito café durante a gestação nascem com menor peso, pois estes asimilam a energía do café e não dos alimentos para se desenvolver.

Já no segundo trimestre a barriga começou aparecer de verdade, algumas mães com alimentação super saudável não usam complexos vitamínicos, eu escolhi tomar. A minha vida sempre foi hiper ativa, uma alimentação saudável não bastava apenas pra mim, muito menos com o Esteban em formação. Sem duvidas, o segundo é o melhor trimestre, a gente se sente uma gestante e ainda sexy! Barriguda e leve ao mesmo tempo. Os “chutes”, movimentos do feto, começaram a sentir-se, foi muito bom!!! Foi também o período onde perdi a conta das semanas. Neste trimestre comecei fazer meu pré-natal no Amparo Maternal, freqüentar algumas reuniões de quinta no GAMA, fazer aulas de Yoga com a Wal (muito bom! Recomendo, mesmo não sendo uma turma especifica para gestantes) e pensar, de leve, onde seria o meu parto. Fiz mais um ultra-som morfológico pra certificar todinho e constatei que o “chute” do médico em relação ao sexo no primeiro trimestre estava certo, Luis Esteban!

Da semana numero 28 à 39, todo foi muito corrido. Tinha um monte de serviço pra fazer, trabalhando mais horas das que esperava, a casa ainda era um caos, e a barriga começando pesar. Também se retomaram os ensaios do Bloco Ilú Oba de Min, onde participei na dança durante toda a gestação, e os finais de semana eram destinados a eles. O complexo vitamínico foi de vital importância, quando parava de tomar me dava rinites. Quase tinha uma comunicação com o Esteban, sabia que ele gostava quando eu dançava, ele era inquieto às noites, ele estremecia quando acariciava a barriga. Também neste período começou a preocuparme a questão do parto, tinha que ser natural, meu bebê já estava contribuindo para isso, ficando em posição cefálica (de cabeça para baixo) desde o quarto mês. Comecei a ler um monte de relatos de parto e comecei a temer pelos procedimentos hospitalares, ocitocina, epsiotomia (corte feito no períneo, muitas vezes desnecesário) e pela famigerada cesária, desnecesária dos planos de saúde. Esta última nem tanto porque tive a vantagem de não ter um. Ouvi falar na Casa do Parto de Sapopemba, é longe! Mas também fiquei sabendo que não é tão rápido assim que acontece um parto e que temos horas para poder chegar. E foi lá que meu rebento chegou! Mas por esse relato vocês vão esperar mais umas semanas. Agora preciso ir dar de mamar!

domingo, novembro 23, 2008

CONDICIONAMENTOS

Não é a toa que chamo este espaço de Fazer o que. Expressão que aprendi neste pais, como tantas outras que adoro, e percebi que se encaixava perfeitamente às muitas coisas com as quais não consigo lidar, inclusive da minha própria personalidade.

Assim como resolvi começar a desabafar por aqui, ou divertir vocês, ou fazê-los refletir, ou simplesmente nada, porque duvido que alguém tenha tempo de ler este troço, começo pelo motivo que mais tem batido na tecla nestes dias.

Estou gestante (grávida é um termo que imprime gravidade, se bem é uma questão séria estar numa situação destas, gravidade tem, ainda por cima, uma conotação negativa com a qual não concordo) de 29 semanas. Numa produção que não posso chamar de independente, senão democrática, coletiva, participativa com o comitê de tias e tios babosos do Luis Esteban, nome escolhido por mim, só depois de perceber uma certa aprovação geral. Pelo menos o índice de rejeição entre a galera foi bem menos ou quase nulo se comparando ao de Luis Camilo, Felipe, Raimundo Nonato e tantas outras opções que se passaram.

Mas o motivo pelo qual uma moça bonita e inteligente, alegre e um monte de elogios que tenho recebido durante estes 6 meses e meio, para meu agrado e saciedade à minha carência (sim, saciedade), estar sozinha, e não ter um modelo papai-mamãe tradicional, é porque o venemérito dono do esperma que colocou o Esteban na minha vida, simplesmente resolveu que não conseguia amar ninguém, que não era a favor do aborto, mas que eu decidia, que ele ia me ajudar com grana, a criar o meu filho (só começou a chamar de nosso quando botei o grito no céu, rs) etc. e tal. Sínteses: mandei ele à merda e topou na hora, reclamou que fui muito rude mas, mesmo assim, não apareceu mais. Bom, ligou uma vez e só serviu para trazer mais confusão à situação, e ainda insinuar que a barriga estava muito grande pelo tempo que ele calculava ou seja, fingi não ouvir, mas a indireta de que poderia não ser dele doeu como um raio na minha para nada fria, cabeçota.

Fiquei sim, indecisa um bom tempo, passei de um extremo ao outro e tentei ir pelo caminho que menos sofrimento me trouxesse. E aqui estamos, seis meses e meio de uma gestação saudável, um muleke inquieto, vigoroso, de chutes decididos, bem ritmados, que adora um batuque e um sacolejo no meu ventre quando dançamos, fica sempre chutando depois dos ensaios ou nos dias que fico muito tempo quieta. Torço para que seja um dançarino e percussionista, quem sabe, numa dessas sai um médico... rs

A distância do dono do esperma (com algumas das minhas amigas chamamos de doador, é verdade que ele entregou sem nenhuma reserva, nem retalhação e confesso, com muito prazer, mas, pela reação não acho tenha sido uma doação e sim, um acidente mesmo pra ele) me fez decidir com mais liberdade, se ia, iria por mim mesma, não podia contar com ele, e fui.

O motivo desta saga toda, é porque agora, a não muito tempo de nascer o Esteban minha duvida volta a pairar no ar. A polemica em torno a esse sujeito que me causou tanta dor e incerteza está novamente reinando e estou chegando à conclusão que se eu queria tirar ele da minha vida mesmo, deveria ter feito um aborto. Porque parece não colar, entre as pessoas próximas de mim, o fato de não querer mais nenhum tipo de relação com ele. Mas não quero ter, não pretendo ter, e espero ninguém me obrigar a isso.

Reparem que nunca chamei ele de pai. Acho esse um termo que nada tem a ver com uma questão biológica, um espermatozóide que fecunda um óvulo não transforma ninguém em pai. Aí, todo mundo chega para falar, mas ele é o pai, ele vai ter que te pagar pensão, ele vai ter que ter uma relação com teu filho, você vai ter que se dar bem com ele. E um monte de coisas que ninguém comentava na hora que eu podia decidir. Mas eu decidi sabendo que não pedir nada dele e reitero, não quero mesmo. E ainda vou fundamentar.

Uma mulher tem direito de decidir sobre seu próprio corpo, no Brasil ainda é crime um aborto, mas de ser despenalizado é a mulher que decide mesmo por isso, certo? Então por que motivo uma mulher que leva sozinha a decisão de uma gestação, não pode decidir sozinha também, pelo futuro do seu filho? Precisa de alguém que nunca se importou, só pelo fato de estar vivo, ser pai? Não abortei, então tenho que conviver com essa figura minha vida toda? Qual foi meu crime? Mas logo chega o contra-argumento, mas você não pode decidir pelo Esteban. Aí eu de novo, Luis Esteban se chama assim porque sozinha escolhi o nome, o dono do esperma não se manifestou para isso e não foi por falta de oportunidade, ele está aqui, na minha barriga porque eu decidi também. Se fosse casada, decidiríamos eu e o meu marido pelo nosso filho (claro, não tudo, né?) e ninguém questionaria, até ele completar a maioria de idade. Por que motivo, me expliquem então, não posso decidir sozinha pelo meu filho? Apenas porque o dono do esperma está vivo? Mais uma vez, cometi o crime de querer ser mãe, então minha condena é conviver com alguém que não quero por perto? Qual o problema de não querer alguém por perto?

Acho que temos condicionamentos demais nesta sociedade, condicionamentos do tipo moral católica, sem querer ofender religião nenhuma, apenas falando em culpas, falsas morais, etc. (bom, acho que posso ter ofendido, sim, sorry) e condicionamentos também de tipo biológico, o esperma é do cara, ele está vivo, ele mostrou alguma vez um falso ou vago e confusso interesse (que se fosse genuíno ele estaria pelo menos ligando para saber como vai a gestação de quem as pessoas chamam de filho dele) então ele é o pai. Discordo. Na época em que as mulheres também optam por fazer inseminação artificial, de doador anônimo (era um dos meus planos antes de conhecer meu ex-namorado, que não foi namorado, tive outros planos melhores também com um amigo que ainda quer ser pai) para concretizar seu desejo de maternidade sem ter que depender de uma relação para isso, não podemos afirmar que a atitude pai, responde a um condicionamento biológico.

Claro, não podemos negar a herança genética, terei de lidar com isso, nem tudo no Esteban puxará a mim, mas o que transforma um ser humano em pai, ou mãe é o interessee a dedicaçãopor esse ser que está crescendo, se formando, aspirando, anelando, sonhando, brincando, curtindo a vida. Esse ser que precisa ser cuidado, amado, tratado com liberdade, respeito, dedicação. Que merece bom exemplos. Não é uma tarefa fácil, mas acredito que seja super recompensável, tal vez o melhor dos meus atos válidos.

Acho que preciso esclarecer que não vou negar a verdade ao Esteban quando questionar ou perguntar, também tentarei me manter o mais neutra possível, a história fala por si só, não precisa de mais desgastes. E considero que sou uma pessoa de princípios. Não de moral, é bem diferente. Se ele quiser, iremos atrás do dono do esperma. Não vou negar. Mas não quero condicionamentos, quero ser livre, como fui até agora nas decisões, e deitar e rolar com o meu filho sem ter que dar explicações ou render informações a ninguém que não tenha se preocupado. Acho justo.

Se ele aparecer, ele será gentilmente convidado a se retirar e nos deixar em paz, se ele quiser mesmo alguma coisa com Esteban, ele terá que ralar e mostrar interesse, cuidado, amor com ele e respeito, esse ponto comigo. Mesmo assim espero que isso não aconteça.

Bom, se alguém leu e chegou até aqui também se cansou deste assunto como eu. Mas precisava desafabar e ter algum lugar onde mandar ler às pessoas que vem com essas inquietudes e questionamentos e me canso de discutir.

Não quero pensão, não quero sobrenome dele, não quero relação, ele foi um capitulo encerrado.

Luis Esteban e eu queremos o amor e carinho de todas as tias e tios, não queremos mais violência, sofrimento e confusão, queremos paz e liberdade. Fazer o que, rs.

FAZER O QUE

Pois é, quando pensei no blog foi para ver se me animava a plasmar a quantidade de divagues e vivências transformadas em contos curtos, romances, ou sei lá o que, que a minha pouco fértil imaginação mandasse. Como sou terrivelmente preguiçosa para sentar e escrever, só consegui plasmar poesia, porque elas vinham em impulsos, pulsantes, como uma dor, ou como uma coceira, inquietas, loucas para serem eternizadas e eu não tinha mais remédio que botar elas no primeiro papel que aparecesse e, como já tinha este blog, depois “dava um banho nelas” (ou passava elas a limpo como preferirem) e pronto, aqui estão. Pelo menos as deste período. Poucas, né? Fazer o que, sou preguiçosa.

Hoje estou rompendo o silêncio com o meu primeiro relato, é que faz tempo que percebi que a poesia “há pasado de mi”, como diria João Manoel Serrat, cantautor catalão. Depois que soube da existência do Esteban, passei a me preocupar de temas práticos, e as dores de cotovelo ficaram pra lá. Bom, não ficaram tanto assim pra lá, porém não consigo que elas rimem, virem música, cores, lamentos metafóricos. Fazer o que.

Tal vez seja que a poesia, desta vez, está gestándo-se dentro de mim, crescendo, ficando forte, vigorosa, a cada chute, para brindar-se bela e brilhante, saeta voante! no final de janeiro no nascimento do que será, de fato o meu melhor poema, Luis Esteban. Assim espero. Fazer o que!

domingo, junho 15, 2008

Pedra

Não terás de mim
nem sequer uma pedra
o mundo não terá,
alguém mais como tu
Serei feliz, eterna
leve, ardente
Não ficarei jamais
com culpa ou rancor
desejo igual para ti
no corpo e mente
como desejava ser
mãe do planeta
Mas não terás de mim
mais nem mesmo uma pedra
como a que ganhei
da tua alma traiçoeira

segunda-feira, abril 07, 2008

Mitologia

Meu masculino é Oxossi,
teu femenino, Oxum
regido mesmo és por Oxalá
minha escência,Yemanjá
está escrito no mito
nascimos pra nos acompanhar...

terça-feira, dezembro 18, 2007

Silêncio

Silêncio...
sentenciante silêncio
apenas ouço impaciente
meu pulso, minha seiva
me importas, mais do que queria
te espero, embora não deveria
silêncio
irritante silencio
me refugio nas noites
de beijos interminaveis
de percorrer tua pele
procurando carinho
essas, essas não enganam
silêncio
condenado silêncio
que quebro neste instante
sem pudores, de arrebato
como supimos fazer
como nos desejamos tanto
pra te dizer que estou
de tocaia no aguardo...

Busca IV

Procuro o endereço dos teus sentimentos
agoniada à espreita de algum sinal
esperança que conduza ao caminho certo
sem duvidas que eles moram por aí
teu corpo me conta feliz a cada contato
vejo eles fulgurantes por trás do teu olhar
mas se escondem assim que percebem
que os percebo
as caricias me trazem recados
estamos aqui.. ja quase somos teus
mas nada dos teus sentimentos
nada de se manifestarem coloridos
nítidos, locuazes
pretendo achar, pelo menos o cep
para continuar alegre a procura deles
não devo te deixar falar
te beijar sim... num beijo interminável
tua boca, tuas mãos, o teu olhar...
eles irão me susurrar onde se esconde
esse o teu amor...

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Será?

Acho que não é paixão
só tesão
misturado com ternura
tempero que conduz
o caos à cordura
não, não pode ser paixão
e assim disfarzo
o pedido da pele
o pular do coração
o acelerar do passo
não deve ser paixão
nem saudade
nem vontade de saber
todas as suas novidades
de sentir seu gosto
estar junto de verdade
não... será paixão?
sei não...
mas é compromisso
de té-lo em minha cama
com ou sem previo aviso

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Noturno

Não, não digas nada agora
apenas me penetra
não digas, estragará o encanto
à noite é para se amar
não tem lugar para o pranto
me deixa te olhar e
vem, vem pro meu abraço
de pernas, mel, fluidos, laço
mas não fala nada agora
sentimos e é só, e é basto
imesidão e abismo
sede, fome, a timidez dos castos
insaciáveis exploradores
dos corpos, das janelas
dos suores e tremores
mas não digas nada não
acreditarei, sentirei
e o prazer se tornará
um grande medo em vão...

sexta-feira, novembro 16, 2007

Poesias

As melhores
sentem melancolia
as mais belas, alegria
estrondosas as que exalam rebelia
rasgantes aquelas doloridas
ardidas, sensuais e atrevidas
as que não sentem,
essas não são poesia.

segunda-feira, novembro 05, 2007

Busca III

procuro nas confusões
algo que fale de mim
ávida de sentimentos
do recíproco desejado
rastro que explique
que aconteceu no passado
encontro cinzas
num olhar alienado
num coração embriagado
que vive de expor sua dor
vitrine e palco falso ator
que ensaia o ato falso amor
representa em tinta impostor
aplausos? não... apenas presas
recompensas, prazeres da mesa
alimento da sua loucura
que coloca com crueza
pensei talvez me encontrar
como queria que fosse
achei só o respingo
num copo de vinho tinto
desencanto queimou
as uvas e secou o ímpeto
comprendi extenuada
fim da empreitada
fiquei sentindo
simplesmente nada

domingo, novembro 04, 2007

Arte

Pinto um quadro
de arte moderna
com tinta amarela
de cheiro canela
pinto um quadro
com força e coragem
que mostre a engrenagem
que junte nós dois
pinto um quadro
espada cintilante
um quadro de Ogum
guerreiro e amante
no quadro uma aurora
de tempos de outrora
pinto sim um quadro
talvez de uma historia
que está na memoria
um quadro do além
que conte de alguém
que alguma vez amei

quinta-feira, novembro 01, 2007

Chan Chan

Olhares e desvios
travessos caminhos
mentes indecisas
vibrantes e matizes
aproximações sem fins
perto e pra longe de mim
certezas e contradições
delícias e sem sabores
vaidades e aflições
Olhares e desvios
travessos caminhos
ondulações retantes
vou pra trás e avante
protagonista ou coadjuvante
debates e elogios
viver em paz ou desvario
suar calor ou frio
Olhares e desvios
travessos caminhos
que levam à perdição
ao encontro ou a separação
tudo ou nada da ação
que sarará o que doeu
fascinante jogo da sedução
só sabe quem ja viveu